O UIGEA Brasileiro

agosto 1, 2011
Escrito por Gustavo Marques de Andrade – MaisEv.com

O UIGEA (Unlawful Internet Gambling Enforcement Act), chamado de Lei Anti-Gamble”, e conhecido pela maioria dos jogadores e empresas relacionadas à indústria do jogo, trouxe muita instabilidade para o poker online.

A discussão ganhou enorme proporção nos Estados Unidos e rapidamente se espalhou pelo mundo, inclusive chegando à Europa que hoje vive o conflito travado entre liberdades individuais, livre circulação de produtos e serviços na zona comunitária e o monopólio estatal.

Nos Estados Unidos, o debate, a respeito da aplicabilidade do UIGEA e a regulamentação do poker online, já chegou às casas legislativas sendo que é esperado um desfecho da situação para os próximos 2 anos.

uigea poker artigos poquer online brasil

A principal crítica à Lei Anti-Gamble americana é a dificuldade das instituições financeiras e até das empresas que oferecem jogo online, tendo em vista a falta de clareza da lei, para definir o que seria considerado “transação ilegal”.

O deputado americano Barney Frank e o senador Robert Menendez já apresentaram suas propostas para reforma da legislação o que atraiu a atenção de especialistas, como o professor Joseph Kelly, cujo artigo originalmente publicado no Poker Law Bulletin.

Enquanto a discussão nos EUA e Europa gira em torno de “transações ilegais”, monopólio estatal, receita dos governos, e demais aspectos econômicos, é fato que a situação no Brasil é outra, já que aqui há enorme carga negativa em torno do poker e também gritante indefinição legal quanto ao significado da expressão “jogos de azar”.

O fato é que, tramitam no Senado dois Projetos de Lei em conjunto, sendo o primeiro, apresentado em abril do ano passado, de autoria do Senador Magno Malta (121/2008), que praticamente repete a UIGEA americana ao pretender a vedação de transações financeiras relacionadas a jogos de azar e pornografia infantil.

No entanto, como já mencionado, outro projeto de lei (255/09), de autoria do Senador Garibaldi Alves Filho, complementaria o projeto de Malta ao definir como crime punido, com 1 a 3 anos de detenção, “a facilitação da exploração de jogo de azar por meio de rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, bem como a autorização para pagamento de crédito ou aposta relacionados ao referido jogo.”

A justificativa para tal projeto seria a dificuldade em processar as empresas que se dedicam à exploração de “jogos de azar” pela internet, na medida em que se encontram fora do território brasileiro e, dessa forma, inalcançáveis pela nossa jurisdição.

Caso este projeto seja convertido em lei (o que se espera até o final de 2010) as empresas de cartão de crédito e outras relacionadas a pagamentos, assim como os provedores de internet, teriam de decidir quais serviços e atividades poderiam ser considerados “jogos e azar” e portanto proibidos, e quais não se enquadrariam nessa categoria.

Vale lembrar que a escolha “errada” pode acarretar sérios problemas criminais, para os responsáveis por essas empresas, sendo o mais provável que, tanto os operadores de pagamentos como os provedores de internet, simplesmente bloquearão o acesso de IP´s brasileiros aos sites de poker, a fim de não assumir o risco de uma interpretação equivocada.

O curioso é que o mesmo Senador Garibaldi Alves, em 2007, apresentou o Projeto de Lei nº 359/07 com vistas à regulamentação do Bingo que poderia ser explorado diretamente por entes estatais ou por empresas autorizadas pelo governo(como é o caso das loterias da Caixa Econômica Federal), o que demonstra uma certa hesitação no ânimo do parlamentar quando o assunto é a repressão dos chamados jogos de azar.

Por fim, volta-se à discussão, iniciada com a edição do Decreto-Lei 3688/41 e à questão a respeito do enquadramento do poker como jogo de azar ou, no que acredita-se ser a alternativa mais plausível, jogo de habilidade.


Jogando agressivamente no Turn

janeiro 31, 2011
Escrito por Phil shaw
Traduzido pela Universidade do Poker

A maioria dos jogadores do No Limit Holdem moderno, particularmente estes que aprenderam online, são familiarizados com linhas como three bet light e continuation bet. Estas estratégias prevalecem especialmente quando o jogo rola nas agressivas mesas 6-max, jogos short handed e HU. Three betar com frequência permite ajustar-se contra jogadores que abrem com um range muito amplo, e c-betar é obviamente uma ferramenta para levar potes quando você acha que o oponente errou o flop, ou ele pensa que você acertou.

turn queen card burn carta queimando poker poquer
Entretanto, conforme você sobe de níveis, a maioria dos jogadores não usam essa linha, e tem meios de contra atacá-la. Por exemplo, se tornou comum o four-bet light, e contra atacar jogadores que c-betam com frequência aumentando de forma light ou aplicando floats no flop. Por isso não podemos c-betar qualquer pote contra jogadores inteligentes, mas também não podemos só aplicar check e desistir.

Para continuar a levar os potes e dificultar a vida dos oponentes, você precisa continuar a aplicar agressão no turn depois de ter mostrado força no flop. Isto significa continuar com blefes ou semi-blefes contra jogadores que possivelmente estejam em float contra você, ou dar check-raise contra jogadores que tentam levar o pote no turn. Isso também significa apostar por valor de forma mais leve em situações onde você tem uma dinâmica agressiva contra o vilão. Isso balanceará seu jogo, e irá torná-lo em um jogador difícil de combater. Mas o poker não é tão simples, e deve-se considerar alguns cenários onde você pode se encontrar e em que sua escolha de jogo pode ser baseada em outras variáveis.

Ponto chave:
Ser agressivo no turn é vital em cash games com poucos jogadores, onde há um grande aumento pré-flop e agressão no flop com muito mais jogadores contra atacando o agressor pré-flop.

Posição é Tudo

A situação mais comum é quando você aumenta antes do flop e é pago por outro jogador, tanto no pré flop quanto no flop. Neste ponto, você precisa considerar sua posição – Tanto na sua mesa quanto em relação aos outros jogadores, a textura do flop e a carta do turn, bem como as tendências de seu oponente. Se você aumentou em posição inicial, então obviamente você é capaz de ter uma mão forte nesta situação e isso deve ditar seus passos.

Se o bordo é auto ou não coordenado, então você deve apostar tanto no flop quanto no turn em muitas situações. Mas se ele for baixo ou cheio de draws, talvez você tenha que desistir depois de uma aposta (ou, sequer aposte no flop). Você deve também estar mais inclinado a blefar quando estiver em posição ou quando scare cards aparecerem no turn, já que ambos os fatores estão a seu favor.

Entretanto, se você aumentou em posição final e foi pago no flop, sua posição em relação ao jogador que pagou é muito importante. Poucos jogadores seguirão contra você fora de posição no flop, sem nenhuma mão, quando você é o último a falar e assim sendo se eles pagarem, provavelmente tem algo.

Mas você precisa ter em mente que muitos jogadores vão lhe pagar pré-flop e no flop com mãos como pares médios, quando o bordo for baixo com uma única overcard. Sendo assim, você deve estar disposto a aplicar um double ou até mesmo triple barrel contra eles, quando cartas ruins aparecerem.

Se, no entanto, você está fora de posição no pós flop, tendo aumentado em posição final, suas jogadas se tornam muito mais dependentes de seu oponente.

Em stakes altos, e contra jogadores fortes você deve assumir que não conseguirá se safar, levando potes com c-bet frequentemente. Você se encontrará muitas vezes em situações complicadas no turn contra jogadores que estão inclinados a pagar continuation bets em posição com um range amplo, incluindo monstros, draws, mãos marginais e floats.

Assim, sua estratégia no turn precisa ser igualmente balanceada se você está fora de posição, e você precisa estar bem atento à sua imagem e as tendências de seus oponentes. Quando você aumenta em posição média ou final você não precisa necessariamente ter uma mão forte, e por causa disso – e pelo range aberto de seu oponente – a textura do bordo se torna importante. Sua estratégia deve variar entre double barrel, apostar leve por valor e check-raise, para evitar que seus oponentes apostem quando você der check com outras cartas de seu range. Se seus oponentes não presumirem suas ações, eles não conseguirão explorá-lo.

Ponto Chave:
É muito importante ter uma análise diferente do jogo, baseada na sua posição e na textura do bordo, antes de tomar uma decisão no turn. Fora de posição, sua jogada se torna muito mais dependente de seu oponente.

Jogando potes re-aumentados

Outra situação onde jogadores intermediários enfrentam problemas é em potes re-aumentados quando suas c-bets são pagas no flop. Novamente, é importante balancear seu range para tais ações, já que muitos jogadores aplicam c-bets com muita frequência em potes re-aumentados, esperando levá-los.

Entretanto, jogadores inteligentes reconhecem esse range aberto para three-bets e continuation bet frequentes, e assim, é preciso ocasionalmente dar check no flop. Esta é uma jogada normal uma vez que seu range será mais forte do que em um pote aumentado apena uma vez.

No turn, é preciso começar a ação com uma c-bet atrasada, se você deu check no flop, ou considerar suas opções se apostou e foi pago. Obviamente, em um cenário mais avançado, os stacks serão importantes, já que você pode comprometer uma boa fatia dele em uma aposta no turn. Você quer fazer apostas que possam lhe colocar em situações de all-in no river, sem comprometer-se em pagar um all in no turn.

Você deve procurar boas situações para isso, caso vá blefar, como bordos secos, com pares ou com Ás como carta alta, onde é difícil que você mesmo tenha um draw caso seja contra atacado. Você não deve apostar em situações onde não é comum receber um fold, como em bordos bem coordenados ou em um turn que possa ter melhorado mãos marginais, dando a elas o gut-shot ou outros outs.

Obviamente seus oponentes em stakes mais altos usarão táticas similares contra você e assim sendo você precisará fazer ajustes. Pode fazer isso foldando mãos marginais fora de posição no flop, que não podem enfrentar apostas no turn ou podem enfrentar péssimas cartas. Você pode também pagar mais light em posição, contra opoentes que gostam de aplicar double barrels bluffs ou apostar em scare cards com frequência. Você deve também estar preparado para apostar alto ou ir all in no turn com draws em situações onde seu oponente está inclinado a apostar e depois foldar uma grande parte do seu range para raises. Lembre-se, a agressão no turn é uma ferramenta valiosa, e você precisa usá-la.

Ponto Chave:
Em potes re-aumentados, você precisa variar seu jogo e algumas vezes dar check, já que muitas c-bets podem te colocar em situação complicada.


Defesa Contra Continuation Bets

janeiro 30, 2011
Retirado de pokerdicas.com

Todos sabem que a continuation-bet (c-bet) é uma parte importante da estratégia do Poker. É uma ferramenta bem conhecida e aplicada pela maioria dos jogadores em algum momento. Como muitos aplicam c-bets, é fundamental saber como se defender. Mas…

O que é continuation bet?

Para quem ainda não sabe, trata-se da aposta feita no flop após você ter dado raise antes do flop. Ao se deparar com uma c-bet, tenha em mente que a maioria dos flops erram a maioria das mãos, principalmente em potes com somente 2 jogadores. Mas para se defender bem é necessário leitura do vilão.

Caso não possua um programa de estatísticas, preste atenção nas mãos em que não estiver envolvido e observe a frequência com que seus adversários aplicam “continuation bets”. Essas c-bets são de que valor? Meio pote, 2/3 do pote, do tamanho do pote? Lembrar esses detalhes fará diferença quando enfrentar esse jogador.

poker chips artigos black pretas fichas

Um bom jogador fará “continuation bet” em pelo menos 50% das vezes em que é o raiser pré-flop, podendo chegar a 75%. Com essa frequência é difícil identificar quando ele tem ou não uma boa mão. Jogadores que fazem c-bets menos que isso geralmente só o fazem se acertam algo, quando possuem um draw forte ou seguram um par feito na mão. Já os que usam esta tática em mais de 75% dos flops, geralmente o fazem com quaisquer duas cartas, tendo acertado ou não.

Para decidir o que fazer, considere a freqüência de “continuation bets” do oponente e o valor da aposta. Por exemplo, caso o oponente tenha 95% de c-bets e sempre aposta o tamanho do pote, não se assuste quando ele fizer o mesmo contra você, pois ele irá fazer. Já se o jogador aplica apenas 25% de “continuation bets”, o ideal é continuar na mão somente se tiver acertado algo forte.

Sendo assim, teremos basicamente três situações no flop.

1.  Acertou bem o flop ou o nuts

O melhor cenário possível. Você terá um maior par com maior kicker, trinca, sequência, flush, etc. Em um pote cheio de oponentes, uma boa opção seria dar call para atrair o call de outros vilões, tornando o pote maior. Um raise provavelmente isolará apenas 1 vilão, e esse não é o objetivo. O call também pode induzir o vilão a blefar ou semi-blefar uma segunda vez (second barrel).

Outra linha é dar raise após uma “continuation bet”. Nesse caso o oponente só continuará na mão se tiver acertado algo como um par ou um draw.

Entre as duas linhas, geralmente a mais recomendada é o call, mas você pode variar entre call e raise dependendo da situação. Exceção ocorre quando bater um A no flop, pois em geral o vilão com par alto estará disposto a colocar muitas fichas no pote, então você pode jogar mais agressivo.

2. Acertou parcialmente o flop ou possui draw forte

Nessas situações a leitura é muito importante. Se o oponente aplica “continuation bets” com frequência, o mais apropriado seria dar call e reavaliar a situação no turn. Caso não apareça nenhuma carta perigosa (scary card) ou o vilão demonstrar fraqueza como dar check, ou uma aposta fraca como 1/3 ou 1/4 do pote, tomar a liderança poderá te dar o pote. Muitos oponentes jogarão check/fold caso não tenham conseguido roubar o pote no flop. Caso você seja pago, ainda terá alguns outs para melhorar a sua mão, podendo reavaliar a situação nas próximas rodadas.

3. Não acertou nada ou possui draw fraco

O mais indicado é optar pelo fold. Considere o call se tiver odds favoráveis, por exemplo se a aposta do oponente for pequena. Outra opção é usar a técnica “float”, que consiste em pagar como um blefe e no turn acelerar o jogo. Mas usar esta estratégia sem nenhuma leitura será prejudicial a longo prazo, por isso o fold é a melhor opção caso não possua odds adequadas.

~

Neste artigo discutimos como agir quando estiver encarando uma continuation-bet do oponente. Saber quando lutar pelas fichas e quando largar vai depender não só das cartas que possui mas principalmente do histórico do oponente, e sua leitura da mão específica.
O mais indicado é optar pelo fold. Considere o call se tiver odds favoráveis, por exemplo se a aposta do oponente for pequena. Outra opção é usar a técnica “float”, que consiste em pagar como um blefe e no turn acelerar o jogo. Mas usar esta estratégia sem nenhuma leitura será prejudicial a longo prazo, por isso o fold é a melhor opção caso não possua odds adequadas.


7 Sinais de que você é um TAGfish

janeiro 24, 2011
Escrito por Daniel Skolovy – pokerlistings
Traduzido por mau.romero – Fórum MaisEV

Todo mundo sabe que o jogos online de hoje estão povoados de jogadores tight-agressive (conhecidos como TAGs). Mas junto com esses bons TAGs, há um crescente número de breakeven ou pequenos perdedores regulares conhecidos como TAGfish.

No geral, pode ser díficil de distinguir um TAGfish de um regular vencedor. Ele entra com o buy-in cheio e joga todas as mãos. Ele tem stats decentes e joga o que pensa ser o “bom poker”. Mas ele parece não conseguir vencer. Isso porque há mais coisas no poker além de ter boas stats.

Poker é um jogo de pensamento. Você não pode apenas imitar o que leu e tornar-se um robô que imprime dinheiro. Você tem que ser capaz de aplicar o que aprendeu e tomar boas decisões cada vez que a ação chegar a ti. Um TAGfish não faz isso. Ele simplesmente joga o mesmo jogo todo dia, não importa a situação. Ele eternamente perde ou fica breakeven, pensando que ele é o jogador mais azarado na face da Terra.

Estes são os sinais que você é esse cara:

1) Você pensa sobre o range de seu oponente, mas nunca sobre o seu

Todo mundo sabe que você deve tentar colocar seu oponente num range. Essa é uma das habilidades mais fundamentais no poker. Mas um TAGfish não pensa sobre seu próprio range. Seu oponente irá jogar a mão um pouco diferente de acordo com o que ele pensa que você tem. Você nunca será capaz de colocar seu adversário em um range preciso a não ser que primeiro pense sobre seu próprio range que também é percebido.

2) Você aplica mal as habilidades que tem aprendido

Um TAGfish tenta aprender a jogar poker melhor. Ele assiste vídeos, lê artigos e estuda o jogo extensivamente. Mas ele aplica mal as informações que aprende. Ele irá aprender que fazer CBets e desistir é ruim, então ele vai atirar second barrel toda hora. Ele irá aprender a explorar jogadores que fazem CBets demais, pagando no flop e usando o Float no turn. Mas ele irá fazer o Float com air total ao invés de mãos com no mínimo um gutshot ou com capacidade de backdoor. Ele irá aprender que 3Bet light é lucrativo, mas ele irá fazer sem levar em consideração que seu oponente paga 3Bets freqüentemente. E ele ainda fará isso com as mãos erradas. Ele apenas aprende metade das habilidades. Ele sabe o que fazer, mas ele não aplica quando ele deveria estar fazendo e com quem ele deveria estar fazendo contra.

3) Você paga com o mesmo range no CO como se estivesse no BUT

Um TAGfish trata o CO e o BUT como posições idênticas. Se um oponente aumenta do UTG, ele irá pagar no CO com 96s achando que é perfeitamente correto porque ele irá estará jogando o pote em posição. Mas isso não é apenas o caso. Você tem ainda mais um jogador pra agir após você e se ele for um dos bons, ele pode fazer de sua vida um inferno. O BUT pode dar uma 3Bet impune, a não ser que você pague com sua mão fraca e especulativa. Ele pode pagar agora e roubar o pote nos pós-flop devido a sua posição e ainda pode puni-lo após o flop. Quando bons TAGs abusam no BUT, um TAGfish permite ser abusado pelo BUT.

4) Você superestima seus impled odds

Um TAGfish pensa que toda vez que ele tiver nuts irá ganhar um stack. Ele pensa que se ele pagar dos blinds com um pocket pair e acertar um set, irá ganhar todo o stack do adversário sempre. Então ele paga com suas mãos especulativas pré-flop, check-flod quando erra e, quando finalmente acerta aquela grande mão, ele faz o oponente correr. Ele sangra todo o dinheiro tentando acertar aquela mão e quando acerta, ele nunca faz o dinheiro voltar.

5) Você tem leaks pós-flop

Um TAGfish normalmente joga bem o pré-flop. Ele tem essa parte do jogo bem definida. Ele sabe que não pode dar limp abertamente com Q9o e ter lucro. Ele sabe que AK precisa de um raise por valor, etc. Mas uma vez que o flop vem, seus erros começam a aparecer. Saber quando largar uma mão pré-flop é fácil. Mas saber quando distinguir top pair, bad kicker não é. Saber quando atirar double barrel e triple barrel é difícil. Um TAGfish joga suas próprias cartas freqüentemente e as situações e seus adversários nunca o suficiente.

6) Você olha pra cada decisão como uma coisa separada

Um TAGfish se vê envolvido uma decisão difícil e pensa: “Cara, esse spot é uma merda. O que diabos eu faço?” Realmente, não é apenas o que ele fez agora que o colocou nesse spot, e sim o que ele fez mais cedo na mão. Ele não teve um plano em mente. Ele apenas age e imagina esse momento fora daquele anterior. Ele joga poker reativo ao invés de pró-ativo.

7) Você tilta demais

Um TAGfish não tilta de verdade “5Bet com 85o”, ao pé da letra. Mas quando ele está perdendo, ele definitivamente não joga seu melhor. Ele apressa decisões. Ele desliza no piloto automático. E, pior de tudo, ele joga muito tempo. Um TAGfish ama tentar engrenar e irá jogar o dia todo tentando isso (com o game C ainda). Ainda quando ele tem um lucro no dia, ele irá desistir mais cedo e jogar pequenas sessões, fechando uma pequena vitória.

Se isto se parece muito com você, não se preocupe. A síndrome TAGfish tem cura. A resposta: concentre-se em fazer a melhor decisão toda vez que a ação chega a ti e use seu tempo. Às vezes, a melhor jogada não trará resultados agora. Mas se você fizer seu melhor para pensar sobre os benefícios de cada possível decisão, você estará fazendo mais decisões corretas que erradas. Se você quer ganhar m mais dinheiro (e parar de ser um TAGfish) isso é exatamente o que você precisa para começar.




Chips happens – FTP

janeiro 24, 2011

Mod de fichas para FTP feita pelo membro jango – Fórum twoplustwo.

Download!

 

Não sabe como instalar? Que tal ler nosso tutorial de instalação?


Low Limits Manual – jogando o river – pt. VIII

janeiro 21, 2011

A última parte do manual de low limits vai tratar de todas as possibilidades que podemos vislumbrar no river, além disso irá comentar rapidamente sobre alguns aspectos pessoais, como jogador de poker, que devemos prestar atenção para alcançar o sucesso na carreira de poker como um todo. As partes antecedentes podem ser encontradas abaixo:

Pt. I; Pt. II; Pt. III; Pt. IV; Pt. VPt. VI; Pt. VII;

River play

Triple Barreling

A. Triple barrel é uma ciência complicada. você deve saber com quais tipos de mãos seu oponente está levando até o river e quais mãos podem dar call frente um shove (ou pot sized bet) e quais não podem. Eu quero começar dizendo que, sem history ou com history limitada de river play, shovar o river é a melhor jogada como blefe, e betar algo como $300 into $350 e deixar $100 ou algo pra trás é o melhor para extrair value (as pessoas interpretam isso como uma maneira barata de se executar um blefe e ficam assustadas em um shove).

Então, quais são as boas situações para dar triple barrels? Simplesmente depende do range que você coloca em seus oponentes. Minha favorita situação de triple barrel é o board seco AKx ou só Axx, onde basicamente nosso oponente é um jogador fraco ou um donk e você sabe que ele tem AT-A2 e não pode dar call em 3 streets com TPWK.

Também, ao dar call rapidamente no flop, normalmente ajuda porque você sabe exatamente o que eles tem. Então vamos dizer que você abre no BTN e alguém dá limpcall, o flop vem A92r, você beta 8bbs into 11bb, ele dá call. O turn é um 3-K e não é um 9, provavelmente bete 22-25bbs into 27bbs. River é denovo outro tijolo, provavelmente shove, ao menos que você tenha algo extra sobrando, que no caso, você deve dar uma PSB. Você vai se surpreender quão frequentemente você recebe folds.

Outro cenário comum é, digamos que um jogador loosish dá limp em MP-CO, você isola e o flop é KQx, você dá cbet, ele call, turn é X, você beta denovo, ele call. River é outro tijolo, denovo aqui, eu shovaria, a mão mais forte que ele pode esperar para ir para showdown é KJ, e ele simplesmente não irá fazer isso muito frequentemente. Há jogadores que são spewboxes e irão fazer isso, então só faça notes e explore os demais.

Raising

1. Bluffing: Eu decidi separar c/r e raising porque no turn, você deve saber qual é o seu plano para o river, se X aparece. Por exemplo:

22/19 opens em MP, ele é agressivo. Você dá call com T9dd no BTN.

Flop J84ssd. Ele cbets, você call.

Turn é 2d [o turn aqui pode ser qualquer carta que não dobre e board e não seja espadas]. Ele atira uma second barrel, você call. (Eu devo deixar claro que se o turn é uma espadas, esse jogador provavelmente irá b/f no turn muito frequentemente, então eu daria raise e, dependendo dos stacks e minha mão, eu daria call em um shove).

River é qualquer espadas. Vamos dizer, stacks efetivos no river são 80bbs. O pot é algo em torno de 60bbs, e a aposta é de, digamos, 30-40bbs, este é um grande spot para bluffshove (especialmente se você tem notes que ele é capaz de b/f situações como essa), porque ele odeia dar check, porque ele sabe dar call é pior, e ele não quer abrir mão da iniciativa, então ele beta pretendendo foldar para um raise, então nós jogamos nossa mão como jogariamos um small flush draw.

Eu quero falar sobre c/r no river por um minuto. Na maior parte do tempo, isto é algo que vocês nunca irão fazer, simplesmente porque é, normalmente, um conceito muito complicado e são situações que requerem algum tipo de history ou razão para você jogar sua mão assim. Somente para propósito de aprendizado, o que você nunca irá fazer aqui é balancear, é sá FPS (fancy play syndrome) e spew. Quando você está no nível que você quer fazer isso para balancear, você saberá, e se você está lendo isto, você ainda não sabe. Eu não irei a fundo sobre c/r river bluffing, eu só quero dizer que:

A. você precisa descobrir que tipo de mão o oponente tem, e você precisa chegar a conclusão que ele está tomando a linha bet/fold porque…

B. ele pensa que você irá dar c/r em uma mão que tem sentido, algumas mãos feitas que ele pensa que você pode ter.

Dito isto, vamos ver uma outra situação de bluff. Eu não irei falar muito sobre donkbet no river porque não é algo que eu faço, mas eu sinto que deve ser usado.

$3/$6 – No Limit Hold’em

Seat 1: X ($1,303.50)
Seat 2: X ($659.20)
Seat 3: X ($801)
Seat 4: Very Good LAG ($848)
Seat 5: X ($2,355.80)
Seat 6: Fees ($671)
X posts the small blind of $3
Fees posts the big blind of $6
The button is in seat #4

*** HOLE CARDS ***

Dealt to RealMonies [Kc Qs]
X folds
X folds
X folds
Very Good LAG raises to $21
X folds
Fees calls $15

*** FLOP *** [Jd 4c Td]

Fees checks
Very Good LAG bets $30
Fees calls $30

*** TURN *** [Jd 4c Td] [3h]

Fees checks
Very Good LAG bets $77
Fees calls $77

*** RIVER *** [Jd 4c Td 3h] [7d]

Fees bets $175

Esta mão exemplifica algumas keys sobre jogar poker. Primeiro de tudo, eu tinha um plano e sabia o que eu estava fazendo. Eu dei call no turn simplesmente porque eu sabia que eu poderia blefar em qualquer ouros. Eu também sei que meu oponente tinha a capacidade de dar fold em uma mão forte como 2p ou set porque ele esta ciente de que o que ele tinha é a mesma coisa que um par fraco porque ele só ganha de um blefe. De qualquer modo, o tema aqui é, desde que str8 draws são bem escondidos você pode alterar seu range e blefar com eles como você tivesse um flush draw e completou.

Value

Value raising o river IP é realmente straightforward. Ou você completou sua mão ou você estava tentando fazer com que seu oponente betasse denovo e agora é hora de dar raise por value. Vamos olha 2 spots:

(6 max) – $3/$6 – No Limit Hold’em

Seat 1: X ($204.05)
Seat 2: X ($600)
Seat 3: X ($588.60)
Seat 4: STD TAG ($781.45)
Seat 5: Fees ($1,358.10)
Seat 6: X($999.35)
STD TAG posts the small blind of $3
Fees posts the big blind of $6
The button is in seat #3

*** HOLE CARDS ***

Dealt to Fees [2d 7d]
X folds
X folds
X folds
STD TAG raises to $21
RealMonies raises to $74
STD TAG calls $53
*** FLOP *** [5h 6h 4d]
STD TAG checks
Fees checks
*** TURN *** [5h 6h 4d] [8c]
STD TAG bets $110
Fees calls $110
*** RIVER *** [5h 6h 4d 8c] [9s]
STD TAG bets $215
Fees raises to $1,174.10, and is all in

Aqui, nós decidimos em dar check behind nosso str8 draw em um RR pot. Nós fizemos nosso str8 no turn e nosso oponente deu lead. O board é bem scary agora, significa que, ao menos que nosso oponente tenha um set ou algum tipo de 2p (ambos são dificeis de ele ter aqui) nós, realmente, não iremos ganhar nada ao dar um raise aqui. Então, nós esperamos pelo river e então nós o colocamos em uma decisão mais fácil por causa de pot odds. (Este quadro de lógica quer dizer que no river as pessoas  blefam menos porque é dificil betar grande o suficiente para expulsar seu oponente do pot. Mantenha isto em mente quando você beta e recebe um raise no river). O river não mudou muita coisa, ao menos que nosso oponente tenha 99 ou 98, mas nós demos para ele outra chance de blefar o pot, também outra chance de dar um vbet, desde que ele, obviamente, folde todos os bluffs, nós o colocamos em um spot dificil com qualquer mão feita, e, esperamos que ele erre e dê call. O que eu quero dizer aqui é que não tem razão para dar raise no turn porque nós não temos que proteger nossa mão e nós queremos outra bet do nosso oponente com estes stacks, então o melhor é dar call e esperar o river.

Vamos olhar para uma situação que eu descrevi anteriormente, jogar sets em boards secos.

Você dá call com, vamos dizer, 22 no BTN. Digamos que um jogador TAG 20/15 abriu UTG.

Stacks efetivos: 100BB;

O flop vem J52r. (9 bbs)

Ele cbet 7bbs, você call.

Turn é 7 (qualquer tijolo) (23 bbs)

Ele atira second barrel 18bbs, você call.

River é 4 (qualquer tijolo denovo) (59 bbs)

Ele beta qualquer coisa, você shove. (FWIW, se ele der check eu shovo, se ele shova, eu, obviamente, dou call). No river, se ele betar denovo, ele raramente irá ter um triple barrel bluff, mais normalmente ele tem JKs+, e será dificil foldar com odds muito muito boas. Uma vez que você se estabilizou contra este jogador, que você dá slowplay em sets em boards secos, você deve jogar sets fast em boards secos (ajustando, se tornando tricky).

Ok, agora vamos supor que nós temos A5s.

Damos flatcall do BB em um open do BTN

Nosso oponente cbet em T42ss, nós decidimos dar c/c.

O turn é um tijolo que não dobra o board, nós damos c/c denovo.

O river nos acerta, qualquer espadas, então a decisão é: ou dar lead ou c/r.

Seu standard aqui deve ser: bete alguma quantia que você acha que irá receber um call. Eu normalmente beto 60-70% do pot, algumas vezes menos, algumas vezes mais, dependendo do meu oponente, isto é algo que você tem que descobrir com o tempo. Quais situações merecem um c/r?

O único cenário que eu dou c/r neste spot é contra:

A. pessoas que eu sei que dão thin value bets.

B. pessoas que eu sei que podem atirar 3rd barrel em scary card.

C. pessoas que eu acho que são muito agressivas e spewy (fwiw, algumas vezes eu dou lead 20% do pot para induzir um raise).

Se estes critérios não se enquadram, você não irá falhar no seu c/r MUITO!

———————-

Por fim, algumas recomendações finais que englobam tudo que vimos no manual e o jogo de poker como um todo.

Mentalmente: Poker irá, algumas vezes, o levar a downswings de 10 BI, ou pior. Assim que você faz o move up, pior se torna. Mas é standard e irá acontecer algumas vezes por mês. Você DEVE continuar positivo moralmente e reconhecer que a única coisa que o impede é você mesmo, não deixe o downswings tirar o melhor de você, esteja ciente de que você é winner nestes jogos, não importa o quais sejam seus resultados imediatos, se você continuar com cabeça fria e jogando solidamente. Eu realmente não consigo me estressar muito, EM TEMPO, SEUS RESULTADOS O ALCANÇAM, e estes resultados dependem somente de você. Eu já perdi $8k em 20k mãos antes de jogar 3/6 NL, jogando 4-6 mesas, sem fazer algo horrivelmente incorreto. Eu mantive minha cabeça, meus amigos me apoiaram, e eu tive um upswing de 20 BI em 6k mãos logo após esse doentio downswing. Isto não teria acontecido se eu não estivesse ciente de que eu estava passando por variância normal e que a única coisa que me seguraria pra longe de ganhar tudo novamente, era eu mesmo.

Saúde: Eu não como corretamente, mas eu deveria, assim como você. Eu não sei nada sobre comer corretamente, mas tentei fazê-lo. E, por Deus, se exercite todos os dias. Exercitar-se é muito dificil nas primeiras tentativas, mas depois você irá querer fazer e até gostará. Compre um ipod e você estará bem.

Upswings: Jogue quantas horas for possível quando você está em um upswing. é igualmente importante quanto evitar jogar enquanto tiltado, jogar enquanto ganhando.

Tempo da session. Eu normalmente jogo 2 horas e faço um break, entao não jogo o resto do dia. O que funcionar para você, só não se sinta como se você tenha que jogar 5 horas por dia no mesmo horário e então você não pode dividir ou esta é a melhor maneira, faça o que você acha que maximize seu foco.

MTTbling. Você nunca se tornará melhor jogando mais do que 4 mesas. Jogar 6-8 você irá fazer decisões robóticas boas se você é um vencedor. Jogar mais de 8 irá fazer com que você tome decisões robóticas medíocres. Se você quer, na long run, se tornar melhor e fazer mais dinheiro, jogue 4 mesas ou menos.

 

 

OBS: é importante ressaltar que esse é um artigo “antigo” para os padrões atuais (2011) e por isso é passível de muitas críticas quanto aos ranges aqui escolhidos e quanto às decisões tomadas em alguns spots. Todavia essa deficiência temporal não tira o mérito de todo o ensinamento aqui passado. Eu (Yuri Utumi) entendo que para qualquer iniciante esse é um manual chave e deve ser lido e relido constantemente durante a carreira nos micro e low stakes.

 


Ajustando seu bet-size como preflop raiser

janeiro 19, 2011
Escrito por kzoide – Fórum MaisEV

A discussão desse post (“Tamanho correto do raise pré-flop”) me motivou a escrever este artigo. Na época que eu o li, achei muito bom, e esclareceu o porquê do raise padrão de 4BB+1 por limper. Quando ele foi escrito, o jogo era infinitamente mais fácil. Bastavam noções básicas de open-raise e abusar de cbets que, facilmente, nos tornávamos vencedores. Não era necessário fazer table selection, pois os donks estavam lá, aos montes, gambleando e doando seu dinheiro. Era trabalho fácil, numa época que existia pouca informação e que o poker estava numa fase que eu chamaria de pré-evolução. A pessoa que descobriu jogar sempre aumentando PF 4BBs é como se descobrisse a roda. A evolução do poker começava ali.

poker chips fichas

Depois desse artigo o jogo mudou muito. Se tornou mais difícil, apareceram muitos regulares, apareceram um monte de short stackers profissionais, veio a 3bet light e em conseqüência os jogadores LAGs. Os donks que sobraram também se adaptaram, não doam seu dinheiro tão facilmente, eles já leram alguma coisa sobre poker e vários tem uma lógica razoável no pós-flop. Com isso vem a primeira pergunta:

E essa formula de 4BBs + 1 por limp, funciona hoje? Não. Essa formula não funciona mais. Os dois primeiros parágrafos são a explicação disso. O seu pequeno conhecimento sobre poker era suficiente, o tornavam acima da média. O seu PFR era por valor. Quando você tomava 3bet, facilmente você identificava se era um monstro ou se era um maniac doador com 50%+ de 3bet. Hoje em dia, você enfrenta adversários muito melhores no pós flop e recebe muito mais 3bet, e, isso faz o seu raise de 4BBs uma arma contra você mesmo (mais a frente explico isso).

Então, qual é a nova fórmula? Se vocês querem tudo mastigado, um número mágico de X BB’s como era antigamente, não precisam nem continuar a leitura. A nova fórmula chama-se ADAPTAÇÃO. Não existe mais um tamanho correto pro PFR. O tamanho do seu PFR será baseado em diversos fatores:

A primeira adaptação que fiz em relação ao artigo do Pokey foi diminuir o tamanho do PFR. Inicialmente comecei com o botão POT doFTP, o que significava 3,5BBs. Logo em seguida, diminuí pra 3BBs das posições de steal (CO e BTN). Vem aí o primeiro fundamento pra definir o PFR (não necessariamente o mais importante): QUANTO PIOR A POSIÇÃO, MAIOR O PFR. Por quê? Abrindo de EP e MP, nosso range é bem mais forte, isso diminui a incidência de 3bets light. Pioramos os odds dos adversários para verem o flop com mãos que eles jogarão fit or fold, como pockets pairs baixos e algumas vezes connectors (na teoria, quando o vilão jogar fit or fold, mais lucrativo será aumentar o máximo possível o PFR já que ele acerta poucas vezes o flop). Abrindo em LP, nosso range é maior. Aumenta a incidência de 3bet que receberemos (tanto light quanto por valor) e jogaremos o pós-flop mais deep em relação ao tamanho do pot e, o melhor, em posição. Quanto mais deep, maior a importância da posição.

Eu diria que um segundo fundamento pra ajustar o nosso PFR é o NÍVEL DE HABILIDADE DOS ADVERSÁRIOS. Isso é um motivo bem simples, também. Quanto pior o adversário, maior deve ser o nosso PFR simplesmente porque no pós-flop, o vilão tende a cometer mais erros que a gente, logo é melhor “engordar” o pot o quanto antes. Seria habitual dizer, por exemplo, que se temos 2 donks à nossa esquerda com alto VPIP e baixo PFR, o nosso raise padrão do BTN seja superior a 4BBs, chegando até mesmo a 5 ou 6 BBs. Por outro lado, se temos 2 bons LAGs á nossa esquerda com alto 3bet VS steal (uns 10 a 12%+), eu diria que o correto seria um raise entre 2 e 2,5 BBs. Isso torna os nossos steals mais baratos, precisando passar menos pra ser +EV. Se eles passarem a dar mais calls, tb não me importo muito, pois acredito que temos na maioria das vezes uma habilidade pós-flop similar, mas eu terei o fator da posição a meu favor. Pra completar, fica mais barato defender nosso raise contra uma 3bet. Veja a matemática supondo um 3bet de 3,5X:

Se aumentamos 4BBs, teremos um 3bet de 14 BBs. Temos que colocar mais 10 BBs pra defender a 3bet. Aumentando 3 BBs, a 3bet será de 10,5 a 11 BBs. Faltam agora uns 7,5 BBs.
Já num miniraise, a 3bet padrão varia entre 3,5 e 4X. Supondo o pior cenário num 3bet de 4X, temos agora que colocar mais 6 BBs. Ou seja, é bem mais barato se defender contra um 3bettor com miniraise e os stacks efetivos em relação ao pot ficam maiores, o que facilita o uso da posição e melhora o sucesso de moves pós-flop.

Mudando de assunto completamente, quantas vezes aumentamos PF com nosso TJs e tomamos um shove de um SS profissional? Ou isolamos um limp com a mesma mão e um desses fdp nos shova e temos q foldar? Volta e meia eu me vejo dando calls errados de tanta raiva que eles nos causam. Como enfrentar isso? Não há muito o que fazer, infelizmente. Porém, podemos adaptar nossos PFRs de modo a dificultar a vida deles também. Aí entra mais um fundamento importante: QUANTO MENOR OS STACKS, MENOR O TAMANHO DO PFR. Simples assim. Num cenário onde só temos SS que jogam de 3bet ou fold à nossa esquerda, não há motivos pro nosso PFR ser mais que um mini-raise. E se o donk a nossa direita vai de limp e eu quero isolá-lo no BTN com meu JTo sendo que tem 2 desses shorts nas blinds, o que eu faço? Como eu disse no início não há resposta para isso. Acho que o principal aqui é você ver o quão lag são os shorts (% de 3bet vs steal), mas um raise de 3X pra perder pouco quando você receber a 3bet e jogar em posição contra um jogador no qual você é infinitamente melhor no pós-flop, não seria nada absurdo. É claro, que o ideal é crescer o pot o quanto antes pra jogar contra esse tipo de vilão, mas a iminência de receber uma 3bet dos shorts, nos força a um cuidado maior no PF.

Talvez tenhamos um quarto fundamento, que não ficará em negrito simplesmente porque a sua aplicabilidade é duvidosa. Não deve ser um parâmetro para definirmos o nosso PFR em limites médios e altos (diria nl100+) ou contra jogadores que estamos sempre enfrentando. Esse fundamento seria: QUANTO MAIOR A FORÇA DA NOSSA MÃO, MAIOR O RAISE. É claro que queremos botar all-in e ser pago no PF com AA, mas essa não é uma realidade. Aumentar o raise conforme a força da nossa mão, não funciona contra regulares ou jogadores bons, porque eles serão capazes de se adaptarem a isso em poucas mãos. Acaba ficando bem óbvio e em pouco tempo, você não terá ação com seus monstros. Nesse caso você teria que entrar num jogo de level think, invertendo seus bet-sizes de acordo com o que oponente acredita que você tenha. Eu, particularmente, acho ruim e desnecessário e não gosto de usar isso pois teremos que jogar a força da nossa mão de forma invertida, diversas vezes, o que (imo) acaba ficando –EV. A única ocasião que vou usar esse fundamento seria contra um donk novato ou um donk com altíssimo VPIP. Nesse caso, e somente neste, acho que vale a pena ajustarmos o PFR de acordo com a forca da nossa mão.

Uma situação curiosa, que usarei apenas como um exemplo divertido e raro, que é totalmente dependente de level think e histórico é o fake misclick com grandes mãos. Alguns regs usam de vez em quando, no pre e no post flop em reg wars. Simulando open raises com números dobrados, como se tivessem cometido um erro de digitação e forçando um shove dos vilões com um leque grande de mãos (mais ou menos algo como 77+/ AJ+). Ex: Um open raise para $66 ou $88 em uma NL200.
A maior parte dos caras que vejo utilizando isso, são pessoas que têm/tiveram coach ou discussões sobre poker com o Ansky ou pessoas próximas a ele.
Obviamente, não é std e normalmente será uma perda gigantesca de valor, mas não deixa de ser engraçado e mais uma “arma” em nosso arsenal.

A maioria dos meus exemplos foram de situações no BTN, onde fica mais fácil analisar pois as variáveis (SB e BB) são menores. Imaginemos agora que estamos no CO e temos um SS lag no BTN e 2 regs lags full stack nas blinds. Nesse caso, sem medo de errar, eu vou de mini-raise sempre pois eu sempre terei posição sobre os full stacks e as chances de eu ser 3betado ’e bem grande. Agora temos os mesmos jogadores só que o BTN é o reg full stack e SB o SS. Nesse caso eu já não tenho posição sobre todos full stacks, mas eu continuarei recebendo bastante 3bet light, então eu tenho que manter um raise pequeno mas não posso facilitar muito a vida do BTN. Nesse caso meu raise padrão no CO deve ser uns 2,5BBs, mas se com esse raise o BTN tiver me causando muitos problemas, eu terei que aumentá-lo um pouco. Com isso quero falar que não existe fórmula exata, SEMPRE vai depender da mesa.

Resumo em poucas palavras (a.k.a cliffs notes):

Importante é não mudarmos o tamanho do nosso PFR de acordo com as nossas cartas e sim, de acordo com a Dinâmica da Mesa e dos Tipos de Adversários. Se temos bons jogadores ou short stackers profissionais pra agir depois da gente, devemos diminuir o nosso bet size. Também devemos diminuir o bet size conforme nossa posição. Por outro lado, se temos jogadores fracos e calling stations que gostam de ver bastante flops, ou que jogam fit or fold, devemos aumentar nossos bet sizes.

Pra finalizar, eu queria dizer que você não precisa concordar com nada que está escrito aqui. Apenas absorva a informação e saiba que um dia você precisará dela. Eu me lembro que, uns 2 anos atrás se eu visse alguém dar mini-raise, eu já fazia um note de donk. A nossa visão muda com o tempo e a minha hoje é que não existe verdade absoluta no poker . Se esse é o meu ponto de vista sobre PFR hoje, talvez não seja mais daqui 6 meses ou 1 ano. Eu só tenho notado que as pessoas estão sempre focando o aperfeiçoamento no pós-flop mas deixam o pré-flop de lado.
Muito do que escrevi aqui, não são deduções que cheguei de maneira espontânea, sozinho, refletindo. É uma análise sobre um apanhado de coisas que li, vi e experimentei.