Reciprocidade: A Causa do Lucro no Poker 1/3

janeiro 3, 2011
Escrito por Tommy Angelo – Livro “Elements of Poker”
Traduzido pelo site MaisEV

Antes de qualquer coisa fluir, deve haver uma diferença. Entre diferentes elevações, água flui. Entre diferentes pressões, ar flui. Entre diferentes jogadores, dinheiro flui.

 

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O movimento é o próprio equilibrio no Poker

No mundo da reciprocidade, não é o que você faz que mais importa, e não é o que eles fazem. É ambos. Reciprocidade é qualquer diferença entre você e seus oponentes que afeta seu resultado. Reciprocidade diz que quando você e seus oponentes fazem a mesma coisa em uma determinada situação, não há movimentação de dinheiro, e quando você faz algo diferença, há.

Você pode procurar ouro recíproco em qualquer lugar no universo do poker. Escolha um assunto, qualquer assunto. Pode ser tão vago quanto “escolha de comida” ou tão específico quanto “A-K no big blind em limit hold’em.” Você cava por ouro ao procurar coisas que pode fazer diferente no futuro, coisas que irão criar ou aumentar diferenças vantajosas entre você e seus oponentes, e dessa forma farão dinheiro teórico fluir deles para você.

Dinheiro teórico não se gasta, mas se inspira. Eu lembro da primeira vez que ouvi sobre ele na forma de “valor esperado” (EV). Eu aprendi que cada aposta tem dois resultados. Há o resultado esperado, baseado em análise, e o resultado atual, baseado em eventos.

Eu estava imediatamente e apropriadamente obcecado com dinheiro teórico. Tudo o que eu queria era meu placar. E quero dizer que eu queria sabê-lo logo depois da mão. Mas eu não tinha idéia de como determinar o atual valor esperado de uma street, muito menos de toda uma mão.

Sem perceber na época, eu me utilizei da minha vida anterior como jogador de torneios de bridge – onde meu placar era totalmente dependente do placar dos outros – e encontrei um meio de analisar uma mão de poker que satisfazia minha necessidade.

Depois do fim de uma mão, eu trocava de lugar com meu oponente. Eu dava a ele minhas cartas e minha posição, e tomava as dele, e fazia a análise recíproca. Eu imaginava como a mão se desenvolveria na situação contrária. Então eu pegava o resultado imaginário e comparava com o que realmente aconteceu, e teria uma idéia de quem realmente ganhou a mão, em teoria.

Às vezes eu não conseguia descobrir com muita precisão. Mas às vezes eu conseguia, especificamente quando a mão tinha muitas variáveis e ramificações, e estava contra oponentes conhecidos.

Por exemplo, digamos que eu dia eu tinha KK e Joe tinha AA. Nós jogamos a mão e Joe ganhou $100 de mim. Na hora eu fingia que tinha acontecido o contrário, eu tendo os áses e Joe com os reis. Eu jogava as streets e pensava nas linhas mais prováveis, pegava a onda de probabilidade resultante e colocava um número nela.

Neste exemplo, digamos que eu determinei que se tivesse os áses, teria ganhado $80. A equação seria assim. Joe ganhou $100 na realidade. Eu ganhei $80 e faz-de-conta reverso. Então meu placar atual na mão foi -$20. Você pode aplicar este método para revisar qualquer street em particular ou um grupo de streets.

Vamos continuar com este modo de pensar e dar uma olhada nas mãos iniciais do hold’em. Na verdade, como todos sabemos, a mão inicial menos lucrativa é 72, e a mão mais lucrativa é par de áses. Reciprocamente, a mão menos lucrativa também é 72, mas não porque é a pior mão. 72 é a mão menos lucrativa porque é a mão mais similarmente jogada.

Então qual é a mão mais lucrativa, reciprocamente falando? É par de áses? Não. A mão que tem o maior potencial recíproco deve ser uma mão que é jogada de várias maneiras diferentes. Será algo entre mãos que são raramente jogadas fora, e mãos que são raramente jogadas. Áses quase nunca são jogados fora antes do flop, então nós sabemos que eles não podem ser a mão mais lucrativa. Parece mais improvável que a mão mais lucrativa seja exatamente a mesma para todo mundo por todo o tempo e espaço, o que significa que a resposta varia de jogador para jogador. E isso significa que qualquer resposta que encontrarmos será apenas um palpite. Então que se dane. Eu vou primeiro.

A mão de hold’em que eu penso ser a mais lucrativa reciprocamente através dos anos é Q-T. Esta é a mão que eu acho que joguei mais diferente que meus oponentes, com maior freqüência.

Até agora, eu estive respondendo a pergunta: “O que é reciprocidade?” No resto deste artigo eu responderei as questões “Onde a encontramos, e onde sacamos?” ao examinar a reciprocidade da forma como se aplica em informação, posição, bankroll, sair do jogo, tilt e apostas. Traga sua picareta e sua peneira. Nós iremos procurar por ouro.

Segunda Parte.


Psicologia no Poker

janeiro 3, 2011
Retirado do Clube do Poker

Quanto mais competitivo se torna o poker, maior é a necessidade de achar fraquezas em áreas onde outros jogadores não costumam olhar.

A psicologia é uma dessas áreas, porque o número de jogadores que a desprezam ainda é maior do que o número daqueles que realmente dão valor. Não faz muito tempo que os jogadores vencedores não precisavam trabalhar com fatores como tilt, foco, motivação, confiança, etc. Mas isso mudou.

O grande número de jogadores, associado ao material de qualidade sobre poker disponível hoje em dia, exige que você explore um lado não muito visado do poker para ter vantagem sobre seus oponentes: o lado mental.

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Melhorar seu lado mental no jogo acontece conforme você melhora suas técnicas e habilidades. Tudo se resume a elaborar uma estratégia baseada em informação de qualidade, e como o lado psicológico nem sempre é tão obvio, a seguir listarei 6 (de muitos) importantes fatores onde a psicologia é importante em seu jogo.

1. Situações de Tilt

O dinheiro jogado fora por jogadores em tilt é um lugar estranho para achar oportunidades, mas pode ser um dos melhores, caso você saiba como tirar vantagem dele. Poucos são os jogadores que notam que erros realizados durante o tilt, sejam eles estratégicos ou mentais, na verdade não são causados pelo tilt. O tilt apenas revela os erros. É como se o tilt destroçasse as defesas de seu jogo, deixando visíveis e vulneráveis os seus pontos.

Quando você entra em tilt, o excesso de emoção derruba sua habilidade de pensar; conseqüência de uma reação natural presente no cérebro de todas as pessoas do planeta. O fato de você perder a capacidade de pensar corretamente é a razão pela qual o tilt é um problema tão grande.

Sem pensar direito, as terríveis decisões que você faz durante o tilt mostram os piores hábitos/decisões de seu jogo. Mesmo que essas terríveis jogadas pareçam óbvias e básicas para o seu atual nível de jogo, cair nelas mostra que você ainda não as dominou completamente.

Claro que o melhor é não cair no tilt, mas enquanto você não se “blinda” 100% contra isso, fique atento aos seus erros… e também aos dos oponentes, quando eles entrarem em tilt.

2. Jogando mais mesas e mais horas do que possível

Se o máximo de peso que você consegue levantar são 150 libras, seria suicídio tentar levantar 250 libras; mesmo assim é comum vermos jogadores tomarem atitudes parecidas com essa, jogando mais mesas e horas do que realmente pode. Claro que pode parecer razoável para você jogar 4 horas quando você só pode jogar 2, ou jogar 12 mesas quando só pode jogar 7. Mesmo assim você não deve fazer essas loucuras. Talvez uma vez ou outra, quando as estrelas se alinharem perfeitamente (um dia com clima perfeito, com seu jogo fluindo bem e as mesas cheias de fish), porém isso requer muito trabalho mental.

Pense nisso como um treino ou malhação. Então, comece com o que você “aguenta”, e com o passar do tempo vá adicionando mais mesas e horas em seu jogo. Se em média suas sessões duram 2 horas, depois de uma ou duas semanas, comece a adicionar 10~15 minutos a partir da terceira semana. Quando estiver confortável, adicione outros 10~15 minutos.

Mantenha o ritmo e em um ou dois meses você estará jogando de 3 a 4 horas. O mesmo é aplicado ao número de mesas.

3. Variância acontece

A questão não é se a variância aparecerá, porque ela vai aparecer! A questão é como reagir a ela. Seja em uma grande seqüência de bons resultados ou terríveis jogos, o principal problema da variância é que ela afeta a sua confiança. Com bons resultados você pode se sentir o deus do poker, já com péssimos resultados você pode se sentir exatamente o contrário.

A razão pela qual a confiança está perfeitamente alinhada com seus resultados é a forma como você avalia a qualidade de seu jogo: Baseado nos resultados. Claro, dinheiro e resultados são o que mais importa – mas é sua habilidade que produz esses resultados a longo prazo e é nela que você deve focar.

Para fazer a mudança de foco – priorizar as habilidades ao invés dos resultados – você precisa avaliar a qualidade de seu jogo depois das sessões. Não é preciso de muito, cerca de 15 minutos é o suficiente. Em dias onde você perdeu, mas notou durante a revisão da sessão que jogou de forma correta, fique feliz! Você diminuiu suas perdas, e isso é uma grande vitória.

4. Fazendo progresso

Melhorar seu jogo raramente será feito de forma linear. É parecido como um carro com problema de motor: muitas paradas e partidas, arrancando às vezes e ocasionalmente ficando completamente parado. Deixando a variância de lado, seu progresso não deve ser dessa maneira. Tendo conhecimento do processo de melhora você pode manter sua curva de aprendizagem movendo-se sempre para cima, minimizando as subidas e descidas bruscas.

Pela maior competitividade de hoje, o trabalho duro não é mais suficiente para conseguir esse progresso. Você tem que ser mais esperto e mais eficiente. Este é um assunto que renderia um livro inteiro, mas eu gostaria de ressaltar alguns coisas:

1 – Dar um passo para frente e um passo para trás – É assim que ocorre o progresso. Cada passo para trás é uma chance de provar que seus pontos fracos melhoraram. E cada passo para frente é uma chance de provar que seus pontos fortes estão ainda melhores.

2 – Liste seus erros (estratégicos e mentais), e analise depois das sessões. Assim você poderá focar na melhoria de cada um deles. Faça isso consistentemente, alguns meses depois você poderá ver uma grande melhoria no seu jogo.

3 – Revise todas as mãos que você encontrou problemas, não só as que você ganhou ou perdeu mais. Marque-as quando acontecerem, assim você poderá encontrá-las facilmente depois da sessão.

5. Cria sua “zona”

O clima perfeito para o jogo não aparece do nada. Ele ocorre por uma boa razão. A “zona” – o lugar de extremo foco, presença perfeita, e grande jogo .

Para alcançar este “nirvana” do poker você precisa remover qualquer coisa que retire sua atenção. Todo tipo de distração (internet, telefone, tv, etc) e também o tilt. É mais fácil falar do que fazer, mas se fosse fácil à recompensa para seu jogo não seria tão grande.

Você também precisa se preparar para isso. Para que a você chegue nesta zona com consistência você precisa focar sua mente apenas no poker. Comece a trabalhar sua mente antes de começar a jogar, assim você já estará nesta zona quando as cartas forem dadas. Para mais informações nesse sentido, recomendamos dar uma lida neste artigo.

6. Fazendo Moving Up.

Subir de stacks não deve ser tratado com desespero. Algo como “vencer ou morrer”. O objetivo é estabilizar seu jogo no novo nível assim como você fez no nível anterior. Esta sutil diferença tornará você mais agressivo ao tentar alcançar o novo nível e automaticamente aumentará o prazo para a expectativa de sucesso de sua subida. Estes dois fatores reduzem a pressão. E como você não está apenas tentando alcançar bons resultados imediatamente nesse novo limite, seu foco estará em melhorar suas habilidades o suficiente para competir com os jogadores regulares, e assim você realmente irá aprender mais rápido.

Então, ao invés de apenas subir de nível e torcer para se dar bem lá, considere os seguintes pontos:

1 – Identifique fraquezas que não eram prioridades nos níveis mais baixos

2 – Estude outros jogadores para aprender a maneira como eles jogam

3 – Jogue menos mesas para ter maior foco.

4 – Mantenha-se agressivo e focado em melhorar suas habilidades.

Preocupando-se apenas com sua habilidade, o lucro virá naturalmente.


Etiqueta no poker live (e também no online)

janeiro 3, 2011
Escrito por RaSZi – pt.PokerNews

Quando terminamos uma refeição num restaurante, colocamos os talheres do lado direito no fundo do prato. Isto é um exemplo de etiqueta, e como tudo na vida, também existe etiqueta no poker.

Muitos jogadores, nomeadamente os que jogam por divertimento, não sabem que existem algumas ‘regras’ de etiqueta no poker. Não se pode realmente atribuir-lhes culpas e destes jogadores apenas temos de aceitar, como recompensa da acção que eles trazem. De profissionais apenas se pode esperar que todos se tratem com respeito nas mesas. Isto é mais uma excepção do que uma regra. Muitas vezes as pessoas não se apercebem que certas acções nas mesas são muito desrespeitosas. Vou começar com a pior das formas.

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NÃO use o celular enquanto estiver na mesa!

Slowroll

Slowrolling significa que é o último a agir na mão e espera algum tempo para fazer o call quando não há mão nenhuma que lhe possa ganhar, ou seja, tem nuts. Alguém vai all in e outro tem AK na seguinte board T-J-5-8-Q, seca. Não há forma de perder a mão nem de conseguir mais dinheiro no pote, mas continua a perder tempo antes de fazer o call, embora não haja forma de perder a mão. Isto é muito baixo. Porque está a dar a ideia ao seu adversário que ele pode ganhar a mão. Mas para quê fazer isto? Não pode perder a mão, e não ganha nada em perder tempo. Há quem diga que faz parte do jogo psicológico, mas é uma das piores coisas que se pode fazer. Não altera nada e perde todo o respeito dos jogadores da mesa.

Outra forma de slowroll é esperar antes de mostrar a mão num showdown. Imagine que faz call a outro jogador no river com AJ numa board A-J-6 -5-T, seco, e o adversário mostra A9 . A carta no river foi perigosa e apenas fez call á aposta do adversário, por isso ele tem de mostrar a mão primeiro. O que vejo frequentemente é o jogador com AJ a bater com a mão na mesa, a olhar novamente as cartas e a abanar a cabeça. Neste momento está a dar a entender ao seu adversário que tem a melhor mão. Algumas vezes fazem de conta que vão fazer muck das cartas e depois viram-nas no último momento. Imediatamente perco o respeito por um jogador destes e atiro as minhas fichas na sua direcção.

Celebrações

Celebrar a mão vencedora deve ser feita com moderação. Ponha-se no lugar do adversário e imagine o sentimento de ter perdido a mão. Se perde uma mão e o adversário começa aos saltos a gritar “YEAH!” e a comemorar com os amigos, isso vai deixá-lo irritado. Não me interprete mal, não há nada de errado em ficar satisfeito por ganhar a mão. Ganhar uma mão importante num torneio e dobrar as fichas é motivo para celebrar. Mas há formas e formas de o fazer, simplesmente diga “boa” ou feche o pulso em sinal de contentamento.

Se os seus Ases aguentaram numa mão importante ou num grande pote, é normal sentir uma sensação de libertação de stress, mas ninguém quer ver um tipo em cima da cadeira a gritar de alegria. Mais ninguém na sala quer saber se ganhou uma mão. Manter as celebrações modestas é ainda mais importante se acabou de ganhar com a pior mão. Se ganhar [Kc} contra depois de all in preflop, não se ponha aos gritos a dizer que é o melhor. Eu próprio não quereria chamar á atenção depois de ter colocado as minhas fichas no pote com a pior mão e depois ter tido apenas sorte. Mais uma vez, em consideração ao adversário, mantenha-se calmo. Dizer “desculpa” também não ajuda, porque sabe tão bem como ele, que não está arrependido de ter ganho a mão. O melhor a fazer é cumprimentar o adversário e dizer “Tive muita sorte”. Algo que não deve fazer, é começar a falar com o adversário. “O que querias que eu fizesse, eu tinha KK.” Desculpas de alguém que apenas teve sorte, que não tinha outra opção, são extremamente irritantes. Isto traz-nos outra forma de más maneiras á mesa… de poker.

Discursos

Comentários no final de uma mão também devem ser evitados. Algo que está muito em voga no presente, mas que é extremamente rude é um jogador dizer “Ship it” depois de ganhar uma mão. Se está a jogar online e diz isso para si, então não está a ofender ninguém. Mas quando está num casino, dizer coisas como “ship it” ou “manda a massa” depois de ganhar um grande pote é extremamente rude. Como se o adversário não estivesse a tentar o melhor para ganhar o pote.

Como já disse anteriormente, vir com desculpas pode ser muito irritante. Se teve sorte num pote onde entrou com a pior mão, mantenha-se calado e fique contente por ter ganho a mão. “Que querias que fizesse, eu tinha um As?” ou “E depois, também já tiveste sorte” são exemplo de situações onde a resposta é “Porque no te callas!”. Respeite o adversário e fique contente por ter ganho o pote. Outra importante forma de etiqueta é não comentar numa mão onde não está envolvido. Não dê dicas sobre o que foldou, ou que acha que os outros jogadores têm. Cada um tem de jogar as mãos por si, e os jogadores no pote são os únicos que devem falar sobre o pote. Não diga coisas como, “Wow, tinhas um trio ou algo parecido?” depois de um jogador ter feito raise. Na realidade, não lhe diz respeito, por isso espere até ao showdown se quiser comentar a mão. Mesmo que esteja envolvido numa mão, mas contra mais que um adversário, é bastante rude começar a falar e a fazer perguntas a um deles. Se quiser ser respeitado numa mesa de poker, tem de demonstrar o mesmo respeito pelos outros jogadores. Fazer slowroll a outros jogadores, e tratá-los mal, vai definitivamente afectar na forma como os outros o vão tratar a si. Se alguém me fizer um slowroll, pode ter a certeza que no próximo showdown vou virar o meu nuts com um grande sorriso nos lábios e vou ficar a contemplá-lo como forma de provocação. Esta pessoa não merece ser respeitada, e vou mostrar-lhe que o comportamento dele é irritante e de baixo nível. Por isso certifique-se que joga com respeito aos seus adversários e tente pôr-se na posição deles em algumas situações. Se perder uma mão com apenas 2 outs a última coisa que quer ver é um tipo a dançar em cima da cadeira e rir-se de si. Por isso, também não o faça.


Quando usar o “check” em cash game

janeiro 3, 2011
Escrito por David Eli – Clube do Poker

Todos os jogadores de poker sabem que é preciso prestar muita atenção em seus oponentes, mas nem todos são capazes de usar toda a informação conseguida.

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Considere essas duas mãos, de um jogo com limites $1/$2, contra um vilão cujos stats sugerem que ele seja bem tight. Na primeira mão eu tinha As-Jc e a mesa foldou até mim no small blind. Eu aumentei para $7, esperando que ele foldasse na maior parte das vezes. E mesmo que ele pagasse, eu poderia flopar uma boa mão ou ganhar com um c-bet.

Ele pagou e o flop veio 8s-7d-2c. Eu apostei $8, esperando que ele foldasse pequenos pocket pairs, assim como cartas figuradas e alguns ases. Entretanto ele pagou. Neste ponto eu imaginei que ele tivesse um par, com uma mão como 9-8 suited, um straight draw, com uma mão como Ts-9s ou 6s-5s, um overpair como 9-9 tentando controlar o pote ou uma trinca em slowplay.

O turn é o 2h. Apostar novamente é sim uma opção, uma vez que você pode ganhar valor, ou expulsar, um draw. Entretanto a maior parte do range do vilão consiste em mãos como pares ou mãos melhores. Sendo assim eu dou check e o vilão dá check behind.

O river é o 3c, outra carta em branco. O meu check no turn me impossibilita de mostrar força com credibilidade, então sou forçado a dar check e esperar que meu Ace high vença. O vilão deu check behind e mostrou Js-8h, ganhando o pote com top pair. Há duas lições nesta mão:

1 – Este oponente não é tão tight quanto eu pensei, pois J-8 off é uma mão certa de ser foldada por muitos jogadores tights nesta situação.

2 – O vilão não fez sequer uma pequena aposta. A mão dele é muito boa no river, por exemplo, mesmo assim ele checkou.

Observação e lucro

Algumas órbitas depois eu tive uma chance de usar minhas informações. Novamente eu estava no small blind, a mesa rodou em fold e eu apostei $7 com Ah-Qc. O Big blind deu call. O flop trouxe 6c-6s-2c. Novamente eu apostei $8 e ele pagou. Isto me permite colocá-lo em um pocket pair, um ocasional monstro, e um bom range de outras mãos que estão em draw ou apenas em float.

O turn é um offsuit T. Novamente eu dou check, porque será difícil foldar um par com esta carta e certamente ele não foldará um monstro. Além do mais, eu tenho um plano contra o range de float dele, que não requer uma aposta neste turn. Depois que eu dei check, ele apostou $20, o que é bom. Eu imaginei, dada a última mão, que ele irá dar check behind com um pocket pair ou até mesmo com um T.

Estas mãos compõem a maioria das mãos que está me vencendo: O resto de seu range são trincas ou mãos melhores e blefes. Seu range é polarizado, e porque há relativamente poucas mãos monstro, eu pago. O river é o 9d – outra carta branca. Eu dou check de novo e dessa vez ele aposta $50.

Agora eu tenho ainda mais confiança em minha mão: Mesmo que ele apostasse o T no turn, ele jamais apostaria de novo no river. Eu pago, e ele mostra A-7off. Uma análise cautelosa de uma mão me permitiu ganhar este bom pote.