Seis erros em Slowplay 1/2

Escrito por Aaron Hendrix – Universidade do Poker
Imagine que você está jogando o maior torneio de sua vida. Um maníaco na sua mesa tem te atormentado e você já está farto disto, mas tem sido paciente e esperado a melhor oportunidade para arrancar suas fichas. Finalmente, você recebe um par de ases. É o seu big blind e você já pode ver o deleite nos olhos do maníaco, babando por roubar suas fichas. Ele aumenta. A ação roda em fold e você decide fazer algo diferente, e só paga.
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Vilão necessitando do seu call com AJo

O flop é um sonho, A-8-4 rainbow. Você continua armando com um check. Como previsto, seu oponente aposta. Você não quer espantá-lo da mão e só paga. O turn é um rei e você dá check novamente. O oponente aparentemente não gostou do seu call rápido no flop, e dá check também. O river é um 6 e você resolve fazer uma aposta baixa, esperando que seu oponente aumente. Ele faz exatamente isso e você já se vê arrancando todas as fichas dele e engrenando para o título do torneio. Você re-aumenta e instantaneamente seu oponente vai all-in. Você ansiosamente mostra a trinca de ases, mas seu oponente abre 7-5 off suit, tendo acertado o straight justamente no river. Você cai fora do torneio.

Slow play é quando alguém decide não ter ações agressivas quando tem uma mão bem forte. Todos amam o slow play, mas na maioria das vezes essa é uma jogada ruim. Com muita freqüência os slow plays acabam saindo de forma errada. Claro, há momentos em que o slow play é correto e será lucrativo se usado de maneira correta. Por exemplo, quando flopamos quadras, full houses ou straight flushs. Nestas situações o que queremos é deixar nossos oponentes se afundarem na mão, principalmente porque sua mão é virtualmente imbatível. Porém, são nas situações onde sua mão pode ser batida que o slow play pode levar à derrota. Neste artigo vamos abordar 6 exemplos desses e como fazer para corrigi-los.

#1 – Flush no flop.

Todos adoram jogar cartas naipadas, então quando ocorre de flopar um flush, sua reação natural é dar check para que outros apostem. Um exemplo clássico disso é quando alguém paga um aumento em posição em um pote multi-way com 10-9 suited. O flop trás Q-6-4 do mesmo naipe das cartas dele. O agressor pré-flop aposta e é pago. Com muito mais freqüência, o herói vai apenas pagar nesse spot. O turn trás uma 4ª carta no bordo do mesmo naipe ou um par para o bordo, e agora o herói não tem idéia de onde está, e acaba perdendo o pote. Um nut-flush flopado é uma das mãos mais vulneráveis que um jogador pode ter. Sim, ela é muito forte, mas em um pote multi-way ele pode acabar perdendo nas futuras cartas comunitárias. Ao invés de aplicar um slow play, apenas pagando apostas ou dando check, a melhor ação aqui é apostar ou aumentar. Isto proporciona duas coisas: ajudará a determinar a mão do oponente, e encorajá-lo-á a jogar trincas ou um Ás daquele naipe. Uma opção é esperar o turn para fazer uma aposta ou um raise, mas você pode acabar perdendo valor nisto. Uma pessoa com o Ás daquele naipe muito frequentemente pagará uma aposta no flop e no turn. Fazendo a aposta apenas no turn, você perde a aposta do flop e também a possibilidade de aumentar o valor da aposta do turn. Por exemplo, se o pote for de 1.000 fichas e você der check no flop e apostar meio pote no turn, você ganhará 500 fichas de seu oponente. Se você apostar meio pote no flop e meio pote no river, você ganhará 1.500 fichas. A aposta no flop torna a aposta do turn maior, aumentando o seu lucro.

#2 – “Mas eu não quero que eles foldem”.

Flopar straights e trincas acontece tão raramente, que quando um desses milagres surge na mesa acabamos não pensando racionalmente e dificilmente jogamos da forma correta, tomando uma atitude muito passiva na ação. Digamos por exemplo que você flope uma trinca de 4 em um bordo com Q-J-4 e dê check no flop. Você agora deu a jogadores com Q-J, K-Y, T-8, A-K, A-T, K-9 e qualquer pocket pair maior que 4 lhe ultrapassar sem nenhum custo. Quando nosso objetivo, com mãos grandes, é conseguir o máximo de lucro possível, precisamos ser capazes de fazer isso enquanto protegemos nossa mão em um bordo vulnerável. Um dos grandes problemas do slow play é que ele na verdade mata qualquer valor futuro da mão que você possa conseguir, já que fica obvio que você tem uma mão monstro quando age. Betar logo de cara com sua grande mão trás muitas coisas que podem tornar a mão lucrativa: Primeiro, coloca dinheiro no pote antes que alguma scared card possa aparecer e levar seu oponente a foldar. Segundo, ela pode disfarçar sua mão. Quase todos esperam que quem flopa o nutz aplique um slow play. Quando você aposta, normalmente os oponentes não lhe colocarão com o nutz, e continuarão na disputa com muitas mãos. A resposta aqui é apostar ou aumentar.

#3 – Aplicando contra o jogador errado.

Para funcionar, o slow play precisa ser aplicado contra o tipo de jogador correto. Para tornar a ação lucrativa sem apostar ou aumentar, você precisa de um oponente que aposte ou aumente contra você. Se você flopar uma trinca contra um calling station, ele só apostará quando tiver uma boa mão, mas vai pagar sempre que tiver esperança de acertar algo, você precisa colocar as fichas deles no pote e fazê-los pagar para tentar acertar o gut shot ou o runner runner flush. Jogadores agressivos são os melhores para se aplicar slow play. Estes são jogadores que fazem muitas continuation bets e aumentam sempre que sentem qualquer fraqueza. Além disso, há algum sentido em aplicar slow play contra um jogador muito tight, já que ele só pagará uma aposta quando tiver uma mão monstro. Claro que você corre riscos, mas essas são situações onde você deve avaliar suas possibilidades. Aplicar slow play contra qualquer jogador que não se encaixe nessas características pode ser considerado um erro. De novo, a solução é apostar ou aumentar para que eles paguem para continuar na mão. Você ficará surpreso, mas no longo prazo você fará mais dinheiro assim do que dando slow play.

Segunda Parte

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